Dyonta
Quarles
A mãe pediu ajuda duas vezes em pouco mais de seis horas. Na primeira, procurava apoio para o filho. Na segunda, pediu à polícia que arrombasse a porta.
DOCUMENTAÇÃO IPE · Revisto em 18 de agosto de 2026 · bodycam, relatório oficial e decisão federal · fontes no fim
Dyonta “DJ” Quarles Jr. tinha 20 anos. O caso público existe em chamadas para o 911, gravações de bodycam, uma investigação independente do Estado de Maryland e um processo civil federal. O mais difícil aqui não é escolher uma versão. É perceber o que cada registo consegue — e não consegue — mostrar.
A PRIMEIRA CHAMADA
Na primeira vez, a mãe estava a pedir ajuda.
Na noite de 29 de janeiro de 2022, Mikel Quarles chamou a polícia por estar preocupada com o comportamento do filho e com frases relacionadas com morrer e “ir para o céu”. Disse que queria ajudá-lo a obter tratamento. Os agentes falaram com Dyonta, fizeram perguntas para avaliar a sua orientação e concluíram que não tinham base para o transportar à força para o hospital. Discutiram alternativas, incluindo uma equipa móvel de crise e a possibilidade de voltar a ligar se a situação piorasse.
SEIS HORAS DEPOIS
A segunda chamada já não era a mesma emergência.
Pouco depois das 4h00 de 30 de janeiro, Mikel voltou a ligar. Disse que Dyonta não a deixava sair do quarto e que a empurrava para a cama quando tentava passar. Pediu aos agentes que forçassem a entrada e repetiu que o filho não estava armado. A equipa que respondeu nessa madrugada não era a mesma da noite anterior e recebeu apenas uma referência breve à ocorrência de saúde mental anterior, juntamente com a informação urgente sobre a mãe retida no quarto.
A BODYCAM E O DEPOIS
A câmara registou o confronto. Os tribunais analisaram o que veio depois.
Os agentes arrombaram a entrada e subiram até ao quarto; Mikel saiu do quarto durante a intervenção. A bodycam mostra Dyonta a cumprir momentaneamente uma ordem para se deitar, antes de voltar a levantar-se. Seguiu-se uma luta: Dyonta atingiu agentes, um Taser não conseguiu imobilizá-lo e, durante a tentativa de algemá-lo, mordeu os dedos do agente Jonathan Ricci. Ricci disparou. Dyonta morreu no local. Em setembro de 2022, o procurador local decidiu não apresentar acusação criminal contra Ricci. A família avançou com uma ação civil; em agosto de 2024, um tribunal federal decidiu sumariamente a favor dos réus, concluindo que o uso de força letal não violou a Quarta Emenda nas circunstâncias analisadas.
Sem acusação criminal contra o agente Jonathan Ricci; ação civil federal decidida sumariamente a favor dos réus em 30 de agosto de 2024.
A mãe chamou a polícia duas vezes em pouco mais de seis horas. A segunda intervenção terminou numa luta gravada por bodycam e no disparo fatal.
18 de agosto de 2026
Consultar fontes →
O que a mãe tinha dito.
O que os agentes receberam.
Abre o registo para separar a informação que existia daquilo que foi efetivamente transmitido aos agentes que chegaram às 4h05.
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Preocupação com uma possível crise.
Mikel falou de comportamento errático, frases sobre morrer e da intenção de conseguir tratamento para o filho.
Uma referência curta. Uma urgência imediata.
A nova equipa sabia que existira uma ocorrência de saúde mental na noite anterior, mas recebeu sobretudo a informação de que Dyonta não deixava a mãe sair, a empurrava para a cama e que era necessário forçar a entrada para chegar até ela.
A segunda chamada ficou gravada.
Vê o Reel documental do Arquivo IPE sobre Dyonta Quarles, construído a partir do registo público do caso e sem transformar o momento fatal em espetáculo.
ASSISTIR AO REEL →O que este ficheiro permite afirmar.
Porque tinha a polícia ido à casa horas antes?
A mãe estava preocupada com o estado mental de Dyonta e queria ajuda para o encaminhar para tratamento. Os agentes da primeira resposta concluíram que não podiam obrigá-lo a ir ao hospital naquele momento.
Qual foi o resultado legal do disparo?
O procurador local recusou apresentar acusação criminal contra Ricci em 2022. Em 2024, o tribunal federal decidiu sumariamente a favor de Ricci e do condado no processo civil apresentado pelo espólio de Dyonta.
Fontes e contexto
- Maryland Office of the Attorney General — registo oficial da investigação e bodycam
- Independent Investigations Division — relatório final sobre a morte de Dyonta Quarles Jr.
- U.S. District Court for the District of Maryland — Quarles v. Ricci, decisão de 30 de agosto de 2024
- Associated Press — ação civil apresentada pela família em 2022
- Imagem de abertura: composição editorial IPE. Não é um fotograma da bodycam nem pretende reproduzir o momento real.
Acabaste de ler um caso onde o vídeo mostra o momento, mas não resolve tudo o que veio antes.
No ARQUIVO 001, a distância muda de lado: aquilo que reparas, omites e reorganizas passa a fazer parte do ficheiro.
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